Profª. Gloria Moraes Prof. Fernando Padovani
O blog que criamos, nós da turma RI2A da ESPM-Rio, é um espaço para se pensar e discutir o Brasil em diversas vertentes. Empenhados em compreender e discutir sua formação, é imperioso entender que o processo de industrialização brasileiro foi tardio, pois até os anos 30 as indústrias que aqui existiram não faziam parte de um processo coordenado de implantação industrial de longo prazo, levando alguns autores a se referirem ao período como parte de um processo de industrialização “não intencional”. Lessa (1981, p. 20) nos diz que: “Em primeiro lugar, devemos ter presente que os anos anteriores de industrialização não intencional, nos quais o setor público não esteve aparelhado, nem fiscal nem administrativamente, para fazer face às tarefas de complementação industrial, havia conduzido à configuração de claros pontos de estrangulamento, mormente no binômio energia-transporte. A pressão, por melhoria destes serviços básicos, dava substância a providências neste sentido que num primeiro momento enfocaram principalmente o reaparelhamento estatal.”
Assim, sinteticamente podemos dizer que não havia condições estruturais no Brasil para fomentar a indústria que desejava aqui se instalar. A atividade agrário-exportadora, principalmente do café, se limitara a angariar recursos apenas para financiar e melhorar suas próprias condições de reprodução e de exportação e, com raras exceções, introduzia alguns bens de capital. A chegada de Vargas ao poder, que havia sido ministro da Fazenda de Washington Luís, representou uma mudança de rumos, pois uma nova coalizão de interesses se formava voltada para o desenvolvimento industrial. Para tal, criar instituições modernas de Estado capitalista foi essencial, pois a alternância no poder de representantes de São Paulo e de Minas Gerais, ambos estados exportadores de café, dificultara a estruturação dos governos de forma a atender interesses diversificados. Para tal, a política externa teve que adequar-se aos novos ventos da geopolítica e do sistema internacional.
Uma pequena elite de empresários reunidos em entidades que viriam se transformar na FIESP e na CNI, e sobretudo um grupo de técnicos do governo, impulsionariam o projeto do governo Vargas, especialmente a partir de 1937, quando questões de longo prazo passaram a fazer parte dos interesses do governo e nacionais. Entendeu-se que era viável a implantação de um setor industrial integrado, voltado para a produção de insumos básicos e de bens de capital e que para tal havia necessidade de centralização e captação de recursos financeiros, implicando na adoção de técnicas de programação e planejamento. Atuando em conjunto com segmentos mais ou menos nacionalistas, ou mais ou menos liberais, foi entre o período do pós Guerra que ocorreu a etapa do amadurecimento do desenvolvimentismo e da ideia de que a industrialização era a solução para superarmos a condição de país subdesenvolvido.
Passados quase 80 anos, o Brasil é hoje um país industrializado, com possibilidade de afirmar-se entre as grandes economias mundiais. Entretanto, como enunciou Celso Furtado, sua “construção foi interrompida” e se industrializamos, por certo não superamos o subdesenvolvimento. Muito há para ser discutido, muito há por fazer.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
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