sábado, 5 de dezembro de 2009

O PIB brasileiro

Débora Paulo de Faria Moreira e Elisa Lamego¨

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os serviços e bens produzidos num período, seja mês, semestre ou ano, numa determinada região, seja país, estado, cidade, continente. O PIB é expresso em valores monetários e no caso do Brasil sua apuração é em reais, a moeda nacional. Este é um importante indicador da atividade econômica de uma região, representando o crescimento econômico, ou seja, a produção final, logo vale dizer que no cálculo do PIB não são considerados os insumos de produção como matérias-primas, a mão-de-obra, os impostos e a energia.
A equação que representa o cálculo do PIB de uma região é a seguinte: PIB = C+I+G+X-M. Onde, C é o consumo privado; I é o volume de investimentos totais; G corresponde às contas do governo; X representa as exportações; e M representa as importações. O PIB per capita, também conhecido como renda per capita é obtido ao pegarmos o PIB de uma região dividindo-o pelo número de habitantes desta região.
É importante lembrar que o crescimento econômico é o resultado do aumento do estoque de fatores de produção (recursos materiais e humanos), da melhoria tecnológica, da melhor qualificação dos trabalhadores, de melhores condições de saúde da população e de maior eficiência da infraestrutura econômica.
Nesse artigo, o propósito é analisar a trajetória do PIB brasileiro no período que vai do “milagre econômico” até o Plano Real.
Em 1967, a economia dava sinais de recessão e Delfim Netto, então o ministro encarregado da política econômica do país, passou a investir nas empresas estatais, nas áreas de siderurgia, petroquímica, geração de energia, entre outras. As medidas surtiram efeito, e os investimentos nas estatais puxaram o crescimento brasileiro, com o processo de industrialização acelerada gerando milhões de empregos, além de crescimento pesado do agronegócios, que ampliou as fronteiras internas na direção do Oeste.
De 1968 a 1973, sob os governos de Costa e Silva e do general Médici, o Brasil passou pelo “milagre econômico”, realizando obras e projetos ambiciosos. Nesse período o PIB brasileiro cresceu cerca de 10% ao ano, embora a renda se tornasse cada vez mais concentrada, um problema que persiste até hoje no Brasil. Tal crescimento foi decorrente das reformas institucionais e da recessão do período anterior, que geraram uma capacidade ociosa no setor industrial e deu as condições necessárias para a retomada do crescimento, que somado ao fato de que a economia mundial também se encontrava em expansão permitiu a superação das taxas históricas de crescimento brasileiras. Na comparação com o resto do mundo, o desempenho do Brasil foi maior tanto no que diz respeito ao crescimento populacional (média mundial de 1,36%) quanto à elevação do produto (média mundial de 3,7%).
No período dos governos militares, o investimento estatal na indústria pesada - siderurgia, petroquímica, construção naval e geração de energia hidrelétrica – foi facilitado pelo alto nível de liquidez internacional, proporcionado pelos recursos dos países produtores de petróleo, e possibilitou o crescimento da produção de bens duráveis de consumo e o de bens de capital. Dadas as taxas de crescimento elevadas e a forte concentração da riqueza, ficou famosa a explicação dada por Delfim que dizia: “É preciso primeiro aumentar o ‘bolo’(a renda nacional), para depois reparti-lo.” Alguns anos passados, os indicadores sociais brasileiros confirmam que a concentração foi grande e que as políticas sociais ficaram a desejar.
Em 1973, com o choque do petróleo (o preço do barril saiu de US$3,37 para US$11,25), levou a um aumento da inflação no mundo todo e, principalmente, na periferia do sistema. No Brasil passou de 15,5% em 1973 para 34,5% em 1974 e o crescimento do PIB diminuiu no período 1974-1979, passando a 6,5% a.a, em média, ou seja, ficando muito abaixo das taxas do "milagre", que foram em média superiores a 10% a.a, tendo alcançado o pico de 13% anuais. Com o crescimento menor e aumento no custo das importações, principalmente na conta petróleo com, a balança comercial brasileira, a partir de 1974, apresentou enormes déficits causados, principalmente, pela importação de petróleo, que ultrapassaram mais de US$ 4 bilhões/ano. Logo a capacidade de geração de divisas tornou-se insuficiente para sustentar o ritmo do crescimento.
Em 1980, a dívida externa explodia e a piora da situação cambial levou o governo a reverter a política econômica, até então baseada no crescimento, e adotar uma política ortodoxa, denominada “ajuste voluntário”. As dificuldades para renovação de empréstimos externos, e também seu encarecimento devido à mudança do padrão monetário internacional, fizeram com que a política externa reduzisse a necessidade de divisas por meio do controle e de absorção interna. Em decorrência da “crise da dívida”, o Brasil entrou em processo recessivo, o que explica o baixo crescimento do PIB que vai de 1981 a 1983. Como fruto da reversão do crescimento que predominou até a década de 1990, o desemprego, que se agravou com o passar dos anos, jogou na informalidade inúmeros trabalhadores brasileiros.
A partir de 1994 com a entrada do Plano Real, uma série de mudanças estruturais promoveria um profundo ajuste. Segundo alguns analistas, o plano apesar das crises externas apresentou bons resultados não somente no que se refere à economia como também em indicadores sociais. Entretanto, para outros, a estabilidade alcançada foi apenas monetária. Análises a parte, em 1994 o PIB brasileiro alcançou 5,9% a.a, atingindo a maior marca desde 1986. Isto ocorreu principalmente em virtude da forte expansão do consumo registrada após a implantação do Plano Real, haja vista que o fim do “imposto dos pobres” aumentou o poder de compra da população, principalmente da de baixa renda. O setor de transformação liderou o crescimento industrial, acumulando expansão de 10,7%. O PIB "per capita" aumentou 6,5%, o maior incremento verificado nos últimos quinze anos.
Em que pese muitas críticas, o Plano Real trouxe, também, uma nova perspectiva para a economia brasileira em termos de crescimento. Além do crescimento do PIB em 1994, já citado, com os setores industrial e agropecuário apresentaram crescimento de 6,9% e 8,1%, respectivamente, também o setor de serviços cresceu a, 4,1%, em função, em boa parte, do desaparecimento do ganho inflacionário que contribuía para o grande movimento de dinheiro no sistema financeiro.
Consolidados alguns princípios do Real, de 2006 até o terceiro trimestre de 2008, a economia brasileira apresentou crescimento vigoroso. No entanto, no quarto trimestre de 2008, o Brasil foi atingido pela crise econômico-financeira internacional e, atingida por uma crise de confiança por parte de empresários e trabalhadores, houve contenção de gastos para produção, investimento e consumo. Depois de a BOVESPA apresentar rápida recuperação, inclusive com alguns analistas alertando para a possível formação de uma “bolha financeira”, os primeiros sinais de recuperação da economia começaram a aparecer. Sacrificando a austeridade fiscal, pois o governo utilizou fortemente políticas anticíclicas, o crescimento do PIB do segundo trimestre foi de 1,9%, em relação ao primeiro trimestre, indicando que a economia já está se recuperando e que uma aceleração mais forte já teve início no segundo semestre de 2009.
A recuperação é nítida, embora ‘tímida’ e o governo deverá ser ousado, na medida em que a crise atingiu o Brasil de forma profunda e em velocidade surpreendente. Opinião que é consenso entre os analistas. Os números que indicam a recuperação já configuram uma trajetória consistente e se entende que o governo adotou uma série de medidas corretas, mas que precisam ser calibradas de acordo com o desenrolar dos fatos, pois o longo prazo em instrumentos monetários e fiscais nem sempre trazem bons resultados. O crescimento nesse segundo semestre de 2009 será decisivo para a configuração do ano e determinante para manter o ritmo crescente em 2010. Espera-se que o Brasil entre em 2010 numa trajetória de crescimento sólido, sustentável, capaz de manter o PIB em ascensão pelos próximos anos, já que a economia respondeu bem e as perspectivas não são ruins. Entretanto, é bom lembrar, que otimismo demasiado em economia não leva a bons resultados.

Bibliografia:

Livro “Economia Brasileira Contemporânea” – Vasconcellos, A. et all – Ed. Saraiva, SP, 2006.

Sites:
http://w ww.dieese.org.br e http://www.fazenda.gov.br
¨ Artigo realizado para a disciplina Formação Econômica do Brasil, do curso de RI da ESPM-Rio – Profª. Gloria Moraes.

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